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Restrições  históricas que limitavam o que um banco podia fazer — headcount, sistemas legados, custo de modernização, canais próprios — estão caindo simultaneamente. IA generativa e agêntica, ativos digitais e novos modelos de negócio aceleram decisões e permitem que os bancos façam mais do que nunca.

Essa foi a tônica da palestra de Miachel Aboot, líder global de Banking da Accenture.

As seis tendências apontadas

1. O dinheiro fica mais inteligente.

Stablecoins, CBDCs e depósitos tokenizados entram no mainstream; trilhos interoperáveis e pagamentos programáveis tornam o dinheiro mais inteligente. A próxima evolução é o dinheiro agêntico,  capaz de executar pagamentos e otimizar liquidez sem intervenção humana.

2. Banking em todos os lugares que importam.

A camada de experiência deixa de ser propriedade do banco.

  • 65% aceitariam um assistente financeiro tipo GPT via plataforma de IA ou carteira digital;
  • 71% aceitariam um assistente de IA no app do banco principal;
  •  76% usariam microagências ou cabines inteligentes.

 O risco é o banco ser empurrado para o papel de “fabricante de produto”,  enquanto outro dono da interface fica com o relacionamento. Daí a recomendação de investir em APIs de parceiros e GEO (generative engine optimization) para a marca aparecer dentro dos GPTs.

3. IA agêntica rompe as barreiras de capacidade — o “banco 10×”.

Abott defende que o banco tem que olhar capacidade, e não headcount.  IA pode destravar até 40% mais capacidade nos bancos. US$ 289 bilhões em benefícios potenciais com GenAI em escala nos próximos três anos (top 200 bancos globais).

4. “O alto custo do baixo custo”.

Cerca de 70% do orçamento de TI é consumido só pela manutenção da dívida tecnológica, com custo de software crescendo cerca de 8% ao ano desde 2017 e custo de tecnologia crescendo cerca de 4x mais rápido que a receita. A saída inclui GenAI em todo o ciclo de vida do software, composable architecture., open source em áreas comuns entre bancos, e um framework de identidade para autenticação e permissões de agentes.

5. Risco: enxergar o panorama além dos pixels.

 Risco vira responsabilidade de todos; 81% dos executivos de risco esperam riscos mais interconectados em dois anos, mas apenas 38% estão satisfeitos com a mentalidade de risco da empresa.

6. A disputa pelo balanço se intensifica.

Depósitos e empréstimos respondem por aproximadamente 2/3 da receita e estão sob ataque de fintechs, stablecoins e crédito privado; mais de US$ 200 trilhões sob pressão, e a IA agêntica permite ao cliente otimizar depósitos e dívidas sem esforço, acelerando a fuga de recursos.

Os pontos apresentados pelo consultor  da Accenture se alinham ao que vimos no painel dos  CEOs. O  Itaú descreveu um salto de 300 mil para 3 milhões de clientes atendidos por IA, por exemplo. E a tendência de dinheiro agêntico dialoga com o Pix e o Drex,  sendo que o Brasil já tem, via Pix, a infraestrutura de trilho interoperável que boa parte do mundo ainda persegue.